preparar, apontar... here we go
E fui. De Air Canada, deixando no Brasil e no Canadá e em Shanghai todos os meus problemas e dores de cabeça para trás. Bye bye Brazil, bye bye China - até nunca, espero, terra de Mao.
odisséia
Dez horas e meia de viagem em uma poltrona desconfortável da classe econômica. A pior comida de avião que já provei (aquele tempero picante que os canadenses adoram, argh). Dores no corpo inteiro. Uma hora e meia de espera dentro da aeronave porque a porta congelou. Par de pés doloridíssimos em um saltinho.
Um oficial indiano que trabalha na imigração canadense implica comigo e com a minha mãe. Quase o mando pra puta que o pariu quando, preocupada com o horário do vôo para Nova York, olhei para o relógio e fui questionada se tinha problemas com a polícia. Contei até dez. Depois de muita conversa o pulha me deu uma autorização para permanecer em solo canadense até o dia 23 de janeiro, apenas, sendo que meu curso termina no dia 28. Belo projeto de rola-bosta. Cafona, stronzo, faccia de merda - entre outros adjetivos pejorativos. Minutos depois pegamos nossas malas - as últimas na esteira.
Frio de cortar os ossos em Toronto. Conexão via ônibus para o terminal de embarque para os Estados Unidos. Fila quilométrica para check-in. Outra fila quilométrica na imigração estadunidense (feita ainda no Canadá). Uma funcionária canadense que não mantém relações sexuais há cinco decênios berra histericamente para que os passageiros do vôo 708 da Air Canada mudem de fila. Lá vamos nós com dores no corpo, pés inchados e nossa bagagem ainda não despachadas.
Um funcionário do governo americanos nos recebe. Penso "agora fodeu" quando, finalmente, nos apresentamos ao americano de uniforme e muitos distintivos. Bah. Simpatissísssimo. Um negão de olhos azuis bonito a valer. Ainda elogiou minha minha carinha bonita, massageou meu ego ferido e me autorizou a entrar nos Estados Unidos. Feliz, feliz.
Passei minha mala verde no raio x. Ok. Não implicaram com o panettone. Mas a indiana (tinha que ser, sorry, mas esse povinho é dose) implicou com o conteúdo da mala da minha mãe. Tivemos que abrir e mostrar o "objeto suspeito" para um outro oficial americano. Lindo e simpático. Ficou super constrangido ao ter que mexer nas coisas da Buairide-1, uma candura. A baranguinha disse que carregávamos algo "muito estranho" que ela não conseguiu identificar e "poderia ser muito perigoso". Vaca. Ele riu quando, ao ver o conteúdo da mala, deu de cara com a Revo Styler (aquela escova de cabelo que gira vendida na televisão) da minha mamma. Muito perigoso, não? Claro, poderia ser um sabre de luz. Afinal, nunca se sabe quando um jedi pode embarcar num vôo para Nova York.
Hora de passar a bagagem de mão na revista. Laptop, casacos, um indiano sikh passando aquele troço para detectar metais no meu corpo - até perto das minhas "partes", uma vergonha. Um terceiro oficial estadunidense cantou enquanto me despia do sobretudo e do terninho. Parece que os gringos daqui adoraram a libanesa. Passei. Despachei a mala. Caminhei milhas até chegar ao portão de embarque.
O vôo atrasou uma hora e quinze minutos. Embarcamos. Eu e minha mãe sentamos em poltronas separadas. Ao meu lado, um chinês e um franco-canadense. Eu mereço! O nascido em terra de Mao vestia uma camiseta amarela. Parecia uma icterícia em forma de guri. Ele arrotou, cutucou o nariz, pigarreou, fez e aconteceu durante o vôo e eu quase morri de nojo. Quarenta minutos depois aterrisamos no aeroporto de La Guardia. Pegamos um coach até nosso hotel e, claro, uma chinesa histérica sentou-se atrás de mim e começou a tagarelar em pequinês a mais de 200 decibéis.
Estamos hospedadas no Best Western Hotel, aqui no Chelsea. Pertinho da Macy's (uhu), do Empire State Building, da Avenida das Américas e da Quinta. Queria chorar quando, de noite, vi a oficina mecânica que fica aqui em frente tocando sucessos chicanos naquele clima totalmente "el Barrio". Mas tô feliz. Tô em Nova York.

continua... mas não hoje, vou cair dura na cama após pintar e bordar na Times Square... AAAAH!!

FOTOS NOVAS!!! No fotoblog da UOL e no Moblog. Também vou postar umas fotos minhas com os "artistas" ou "gente importante" que tirei aqui em NY com aquela ajudinha básica da tal da Madame Tussaud. Pra começar, uma imagem pra provar que já cheguei chegando:

Eu e o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani. Ciao, paesano!
Escrito por Kari às 00h19
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