Natal em Nova York
NOVA YORK - DEZEMBRO DE 2004
publicado previamente em ah! libanezza! em dezembro
ah, new yorkers
Os novaiorquinos são simpatissíssimos. Talvez seja o espírito natalino, talvez seja mais uma quebra de preconceitos.O fato é que desde que cheguei aqui já estava preparada para grosserias e esnobadas. Um equívoco. Aqui, todos vão dizer Merry Christmas, Happy Hollidays e, até mesmo, Happy Day after Christmas Day. E sempre. Eu disse sempre. Sempre sorrirão quando você os encontrar no elevador.
Menos os indianos, é claro. Eles vão conferir sua nota de vinte dólares, não responderão uma pergunta sem esboçar total entojo e não te ajudarão. Em nada.
chineses
Estão em todos os lugares. Falando alto naquele idioma do diabo que, por uma falta de vaga no curso de cerâmica, decidi estudar. Eles cospem nas ruas, são pequenos e numerosos. Se tiver 1,77m como eu ou mais, cuidado para não tropeçar num deles. Se isso ocorrer e ouvir um xingamento naquela língua nada simpática, mande bala: encha a boca e responda "pan dang" (pronuncia-se "pantan"). É um genérico pro nosso "idiota fiadaputa". Além de fulos, claro, ficarão intrigados para saber se você entendeu o que eles disseram.
Mas a chinesa que limpa nosso quarto é uma gracinha. Dava pulinhos de alegria quando falei um pouco de chinês, uma fofura. Sempre digo que para cada 10 chineses escrotos, um sempre irá te surpreender com uma gentileza e ternura jamais vistas. Foi assim que me apaixonei pela China. Pena que os expats que vão para lá acabem se misturando com as pessoas erradas e virando bichos. Uma pena.
o mais merry dos christmas
Então passei o melhor natal da minha vida longe dos problemas familiares, sentimentais, burocráticos, trabalhistas e culinários. No Rockefeller Center com a minha mãe. Após a melhor ceia de natal numa osteria italiana de altíssima qualidade na esquinha da W 38th com a 9 Avenue. Sem brincadeira, mas foi o melhor zitti que experimentei. Refinadíssimo. Italianíssimos. Tudo regado a Moscato Frizzante - o que nos garantiu uma alegria extra.

Sem parentes, sem intrigas, sem fofocas, sem aborrecimentos, sem peru de natal e arroz com passas e salada de macarrão, sem trocas de presentes ruins entre pessoas nada queridas como a tia fulana e o tio cicrano - aqueles que pediram os dólares da minha avó debruçados no caixão (pena que ela tenha percebido a canalhice de vocês antes de falecer). Tudo novo. Uma nova vida. Mais prazeres. Mais respeito. Mais amor verdadeiro. E pessoas que realmente valem a pena.
espírito natalino...
Ok, o natal acabou. Mas a minha pieguice de "vamos dar a mão e celebrar o nascimento de Cristo", não. Simplestente porque ela nunca começou: Jesus Cristo não nasceu no dia 25 de dezembro e, apesar de ser católica apostólica romana, repudio a santíssima trindade por crer apenas em Deus e apenas nele da melhor forma muçulmana possível. Mas, ok, o assunto aqui não é religião. O assunto são compras. Sim, que horror, que capitalismo selvagem, vou arder no inferno depois dessas.
Nada como as tais sales e clearances (aquele limpa de estoque) pós dia 25. Comprei meias de grife na Macy's por 3 dólares. Antes, custavam 15. E mesmo em liquidação, meu orçamento não se apaixona pelo sobretudo Ann Taylor que custava 700 dólares. E, agora, só 280. Multiplique por 3. Uh, loucura. Sorte dos que recebem o salário em dólar. Ah, sortudos. Aquele sobretudo Ann Taylor era lindo.
supermercados
Adoro visitar supermercados quando estou no exterior. Dos paupérrimos mercadinhos búlgaros aos deliciosos mercadinhos cheios de coisinhas lindas na Inglaterra. Lá você aprende um pouquinho sobre o modo de vida dos habitantes do lugar.
Na Romênia, por exemplo, você vê que o poder aquisitivo do pessoal é super baixo e que todos os produtos são os mais básicos possíveis. Aqui nos Estados Unidos a história é outra. Há um mundo de variedades em biscoitos e remédios e leites e águas e refrigerantes e snacks e maquiagem e produtos de limpeza e soluções para o lar para pessoas preguiçosas. É um paraíso. Dá vontade de encher o carrinho e mostrar pros amigos do terceiro mundo como são legais as novidades.
Confesso que me sinto jeca num lugar desses. Comprei um removedor de maquiagem da Ponds que é maravilhoso. Me senti como um índio que trocava pedras preciosas por caco de espelho. Triste, isso.
souvenires
Sorry. Mas terei que ser econômica nas lembrancinhas para os amigos. Vou comprar alguns no supermercado, hehe, simplesmente porque são demais as coisas do primeiro mundo. Mas não se surpreendam se ganharem shampoo do hotel ou manta roubada do avião. Aqui é tudo muito caro. Ok, me odeiem. :)
as barganhas...
Para concluir este post totalmente fútil e preconceituoso, anuncio duas barbadas que me deixam orgulhosa: um duo de sombras da L'Oreal que custa 50 dólares no Brasil. Aqui, paguei 5 dólares. E um livro absolutamente lindo do Tibet, enorme, cheio de fotos, capa dura, desses de colocar na mesa da sala por 24 dólares. Peguei na sale do Metropolitan Museum of Art. Custaria, no Brasil, uns 200 reais, por baixo.
e pra fechar...

Eu. Agarrando o Elton John, aquele fofo.




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